sábado, 29 de outubro de 2016

PR1 – Caminho do Xisto da Lousã 1 – Rota dos Moinhos

No sábado 29 de Outubro, rumámos à vila da Lousã onde iríamos efectuar o PR1 – Caminho do Xisto da Lousã 1 – Rota dos Moinhos, que já trazíamos em carteira há muito, muito tempo.

O percurso inicia-se junto da Câmara Municipal da Lousã, circundando a câmara, passámos junto da Biblioteca Municipal, indo depois em direcção à Igreja Matriz, situada na Praça Cândido dos Reis. Continuando a caminhada por ruas da vila, passámos pela Capela da Misericórdia e pelo Palácio da Viscondessa do Espinhal, convertido agora numa Unidade Hoteleira. Seguimos depois pela Rua Dr. Francisco Viana, passando pela Escola Profissional da Lousã, atingindo rapidamente a Fábrica do Papel do Prado, criada em 1716, que continua a laborar até aos dias de hoje.

Passando entre a fábrica e o edifício onde funcionou o Clube Cultural dos Trabalhadores da empresa, entrámos por um caminho estreito entre muros, seguindo depois ao longo da levada que transporta a água para a fábrica, até encontrarmos uma ponte suspensa e transpormos assim, pela primeira vez a Ribeira de S. João.

Depois é sempre a subir, entre acácias, até encontrarmos um cruzeiro e uma capelinha, avistando-se daí, pela primeira vez o Castelo da Lousã, que se encontra sensivelmente à mesma altitude.

Descemos de seguida até um ribeiro, que forma uma pequena cascata. Neste local é necessário muito cuidado, pois temos que descer por cima de pedras molhadas, o que poderá ser bastante perigoso.

Após a passagem pela cascata, atravessámos o ribeiro, por umas ripas de madeira, subindo uma escadaria de pedra e chegámos às grutas da Senhora da Piedade.

Passeando-nos pela zona envolvente do santuário, além de visitarmos as capelas, desfrutámos de uma paisagem lindíssima, colorida de amarelos, laranjas e vermelhos, por entre um tapete de folhas, típico da época do ano que atravessamos.

Entre o Santuário e o Castelo, percorremos a parte do trilho comum com o PR2 – Caminho do Xisto da Lousã 2 – Rota das aldeias de Xisto da Lousã que efectuámos em 09/11/2013 e nos levou a conhecer as Aldeias de Xisto do Talasnal e Casal Novo.

Impunha-se agora a subida da Praia Fluvial da Senhora da Piedade até ao Castelo de Arouce, um dos raríssimos castelos construídos em xisto. Atingindo o castelo, seguimos por um trilho íngreme, até à Ribeira de S. João. Junto da ribeira algumas placas informam que o percurso neste local pode ficar condicionado devido ao caudal do rio, podendo mesmo haver o perigo de enxurradas.

Já tínhamos sido alertados para esse facto, mas só passando pela experiência, entendemos realmente o porquê… Tivemos que atravessar a ribeira 7 vezes, usando as pedras como poldras (pedras dispostas de modo a deixarem atravessar correntes de água a pé enxuto), nalguns casos, efectuar esta travessia sem molhar os pés não foi tarefa muito fácil, pois algumas pedras estavam soltas, distantes e/ou molhadas. 

Foi com algum alívio quando atravessámos a ribeira pela penúltima vez, sem termos ido ao banho, não seria muito agradável, nem muito bonito chegarmos encharcados à vila.

Á medida que íamos efectuando estas travessias, passávamos pelas ruínas dos moinhos que deram o nome ao percurso, pisando um manto de folhas amarelas, chegando assim ao local já nosso conhecido, onde atravessámos pela última vez a ribeira. Desta vez foi mais fácil porque a água havia sido desviada para a levada, deixando o leito praticamente seco.

Apanhámos de novo o trilho que nos levaria de volta à fábrica do papel e para não repetirmos o mesmo caminho pelas ruas da vila, decidimos descer a Rua João Matos da Cruz, passando pela Quinta do Penedo e pelo Largo da Cruz de Ferro.

Continuámos pela Rua do Pinheiro, uma rua estreitinha, típica dos centros das localidades, desembocando na Alameda António Cardoso Faria Pinto, nas traseiras do Hotel. Percorrendo mais algumas ruas chegámos à Praça Cândido dos Reis e por conseguinte ao local onde iniciámos o percurso.

Foi uma caminhada num total de cerca de 7 Km, muito interessante, de uma enorme beleza natural e patrimonial, desenvolvendo-se em ambiente serrano e urbano. Se um é encantador pelos seus encantos naturais, o outro é também muito rico pelas suas casas senhoriais e pelo seu amplo património religioso e não só.

Vale sempre a pena, “levantar o rabo” do sofá para descobrir mais um bocadinho do nosso país, pois há sempre algo mais para descobrir, mesmo que já tenhamos passado nesse local algumas vezes.

Mapa do Percurso