sábado, 18 de junho de 2016

Caminho do Xisto de Sevilha - Tábua

Muito há para descobrir em Portugal. Graças aos percursos pedestres descobrimos uma “Sevilha” portuguesa, não muito longe de nós, um pouco mais modesta que a Espanhola mas também com muitas belezas para descobrir.

Foi na freguesia e concelho de Tábua, que descobrimos uma pequena aldeia que nos encantou com o seu casario e as suas calçadas, onde por baixo da ponte medieval corre o Rio Cavalos formando uma bonita cascata.

O “Caminho do Xisto de Sevilha” inicia-se na parte mais alta da aldeia, onde outrora foi a escola primária, nos dias de hoje requalificada para Associação Juvenil (www.tabuaxxi.pt).

Deste lugar obtém-se uma boa panorâmica sobre a aldeia, onde a seus pés corre o Rio Cavalos, para onde nos dirigimos pelas ruas da aldeia.

Descemos ao rio onde apreciámos a espectacular cascata e os moinhos de água, atravessando depois a Ponte Medieval, iniciando a subida para o lado esquerdo da aldeia. Na Associação Recreativa Sevilhence, fundada em 1951, tomámos o nosso cafezinho, em busca de energia para o percurso.

Continuámos depois, caminhando junto aos campos de cultivo, por estradão de terra batida, passando pelo troço onde iria passar o Rally de Tábua, onde alguns pilotos ainda treinavam. Ao som de pneus a chiar e envoltos em nuvens de pó, chegámos ao enorme aglomerado granítico que apelidam de “Pedra da Sé”, um lugar com umas vistas espectaculares sobre o Rio Mondego.

Seguindo por entre enormes afloramentos graníticos, fomos descendo até à “Via Romana, e por sua vez até às margens do Rio Mondego.

Esta Via Romana é classificada como imóvel de interesse público desde 1990. Diz-se que este troço ligava Bobadela a Santarém, passando por Tomar.

Em Dezembro de 2013, quando efectuámos o PR5 – Caminho do Xisto de Oliveira do Hospital – A Marcha dos Veteranos, que passa em Bobadela, podemos testemunhar “in loco” o enorme legado deixado pelos romanos nesta localidade.

Após a passagem junto ao Rio Mondego, subimos ao planalto desfrutando de bonitas paisagens, passando de quando em vez por ruínas de casas que em tempos teriam sido de habitação.

Por caminhos de terra, descemos de novo a encosta para apanharmos os trilhos junto ao Rio Cavalos.

Aqui tivemos muito azar, pois provavelmente passámos antes de efectuarem a limpeza dos trilhos e um percurso que poderia ter aqui o seu ponto alto, passou a ser um verdadeiro pesadelo. A maior parte do caminho encontrava-se completamente tapado com ervas, fetos e silvas, tivemos de abrir caminho com o bastão, onde por vezes nem sequer tínhamos a noção de onde assentavam os pés. Arriscámos também atravessar o rio numa ponte que havia sido arrastada pelas águas, sempre na expectativa na melhoria das condições, mas em vão.

Para fugir ao mato e às silvas, deixámos o Rio cavalos e subimos para uma estrada paralela ao trilho, que nos levou de novo aos campos de cultivo, onde pastava gado e de onde já se avistavam as habitações de Sevilha.

Acredito que esta situação tenha sido solucionada e que os caminheiros que se seguiram, não tivessem que passar estas dificuldades, pois desta forma não conseguimos tirar partido das cascatas, das ruínas dos moinhos de água e dos sistemas de irrigação utilizados noutros tempos. Este trilho poderia ter sido muito interessante e até de referência para outros percursos, se tal não tivesse acontecido. 

Foi de muito bom grado que voltámos à povoação e descansámos dos cerca de 12 Km, no parque de merendas junto ao Rio Cavalos onde nos refrescámos e relaxámos com o som da água a cair da cascata.

Recomendamos este lindíssimo percurso, aconselhando no entanto que verifiquem se está completamente transitável, porque apesar de não ser muito conhecido vale sem dúvida a pena visitar.

Gostaríamos de o fazer de novo…



Mapa do Percurso