sábado, 16 de maio de 2015

PR7 - Percurso das Poldras

No fim-de-semana de 16 e 17 de Maio o nosso destino foi o concelho de Vouzela, pertencente ao Distrito de Viseu.

Após a passagem pelo Parque de Campismo, rapidamente seguimos para a localidade de Fataunços, mais propriamente no Largo de S. Carlos, local onde começa o Percurso das Poldras e onde se encontra o painel informativo do início.

Após tomarmos o tradicional cafezinho na esplanada ali existente, seguimos em direção a Bandavises, apreciando as casas de granito com as suas janelas e as varandas floridas muito bem restauradas. Fontes, Espigueiros, a Mina da Fidalga e uma levada que seguia ao longo da estrada, iam sendo alvo da nossa atenção e motivo de disparo da nossa objetiva, até chegarmos ao moinho de água, local onde tivemos que cruzar pela primeira vez a Ribeira de Ribamá.

Este é um lugar deveras interessante, com o imponente moinho e o primeiro conjunto de poldras. Para segurança do visitante foi construída uma ponte em madeira, paralelamente às poldras, para facilitar a passagem. Lamento o facto de o moinho estar praticamente coberto com a vegetação, mas como sou uma otimista prefiro acreditar que se deve apenas ao facto de termos passado a seguir ao inverno e o local ainda não tivesse sido alvo do corte da vegetação infestante. Neste momento já deve estar tudo impecável… espero!!!!

Após a travessia da ribeira, surge um dos pontos mais bonitos do percurso. Um caminho entre muros, cobertos de musgo, com enormes lages no chão por onde escorre água abundante (pelo menos aquando da nossa passagem). Finda esta etapa, tivemos que tomar a decisão da alternativa a seguir: irmos de imediato para a Ponte Pedrinha ou seguirmos pelo antigo caminho ferroviário em direção a Figueiredo das Donas.

Como não gostamos de “perder pitada”, optámos pelo caminho mais longo (o dobro) e seguimos até Figueiredo das Donas, seguindo a antiga linha do caminho de ferro, já nossa conhecida de outros percursos. Não poderemos dizer que é uma opção com muitos pontos de interesse, pois excluindo a paisagem que é muito bonita em diversos pontos, a passagem pela localidade e a travessia da calçada romana, apenas serviu para somar quilómetros ao percurso.

Petiscámos as nossas já tradicionais sandochas, no parque de merendas de Figueiredo das Donas, bem apetrechado com churrasqueiras e água, apesar de estar a necessitar de alguma limpeza da vegetação (mais uma vez acredito que já tenha sido ultrapassada esta situação), seguindo depois em direcção ao centro da povoação, ao Largo de Nossa Senhora das Neves, onde se encontra a Igreja.

Seguimos as placas que indicavam Ruinas dos Mouros e Estrada Romana, contornando o largo da igreja pelo lado direito. Não conseguimos encontrar as Ruinas dos Mouros, só agora, após algumas pesquisas para a elaboração deste texto, penso ter encontrado a explicação: a propriedade encontra-se vedada, pois o espaço que outrora era o Paço da Torre, está agora na posse de particulares e transformado em Turismo de Habitação… Um belo local por acaso, bastante apelativo à passagem de um fim de semana em comunhão com a natureza e as gentes locais.

Descendo pela via Romana, muito bem preservada, chegámos à Ponte Pedrinha, local onde encontrámos de novo a alternativa 1. É difícil, nos dias de hoje acreditarmos que em tempos, aquela era a principal via entre Viseu e o Litoral.

A Ponte Pedrinha quase passa despercebida se não formos alertados para a sua presença. Ocultada pela nova ponte rodoviária, esconde-se uma belíssima ponte medieval, que realmente justifica uma paragem para a visitar.

Seguindo pela estrada de alcatrão, a cerca de 100 m da ponte, cortámos à esquerda para um trilho rural que nos leva ao Açude da Fidalga. Um lugar simplesmente paradisíaco… Tivemos que saltar alguns cursos de água e atravessar cautelosamente sobre as pedras da represa. Este local, para nós, foi sem dúvida o ponto alto da caminhada. Convida a permanecer ali e usufruir das águas límpidas e calmas da ribeira. 

Segundo apurei, em altura de grandes caudais, deve-se pedir informações no posto de turismo sobre as alternativas, pois este local fica intransitável.

Uns quilómetros mais à frente, novas poldras, nova travessia da ribeira e o inicio da subida para o Lugar de Crescido, onde a meio caminho se refrescámos nas águas frescas da Fonte Velha.

Atravessando as estreitas ruas da aldeia, ladeadas pelas casas de granito típicas desta região, descemos de encontro à Igreja Matriz de Fataunços, percorrendo posteriormente as ruas da localidade apreciando as casas de traça fidalga, muitas delas brasonadas.

Uma vez mais tivemos a sensação de dever cumprido e a satisfação de levar mais um bocadinho de Portugal na nossa bagagem, com mais 14 Km somados ao nosso total.

Mas a nossa excursão por Vouzela não se fica por aqui… no dia seguinte rumámos à Nossa Senhora do Castelo para efectuarmos o PR1, para ao longo de cerca de 8 km desvendarmos mais um pouco dos segredos de Vouzela.