quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Parque Nacional Peneda/Gerês – Santuário de Nossa Senhora da Peneda

A tarde tinha começado apenas há algumas horas, muito ainda havia para ver, mesmo sem estar na programação inicial, foi o que aconteceu com a visita ao Santuário da Senhora da Peneda e com a Porta do Mezio

Depois de deixarmos para trás o Lugar de Igreja seguimos em direcção ao Soajo, quando uma placa que indicava “Senhora da Peneda” nos chamou a atenção, com a tarde ainda a meio nada melhor que explorar mais um bocadinho de Portugal desconhecido e passados alguns quilómetros começámos a avistar o bonito Santuário de culto à Nossa Senhora da Peneda ou Senhora das Neves como também usam chamar-lhe. Reza a lenda que Nossa Senhora apareceu a uma pastorinha sob a forma de uma pomba branca, solicitando a construção de uma Ermida, como os pais da criança não acreditaram, no outro dia voltou a aparecer, sob a forma que é conhecida nos nossos dias, dizendo-lhe para ir ao lugar de Roussas, também na freguesia de Gavieira e pedir aos habitantes para trazerem uma senhora que estava entrevada há 18 anos, fazendo assim o milagre e curando das enfermidades Domingas Gregório. Foi então construída a ermida que posteriormente deu lugar a este belíssimo Santuário.

Este lugar é constituído pela Igreja principal, tendo á sua frente o escadório das virtudes com estátuas representativas da Fé, Esperança, Caridade e Glória, o terreiro dos evangelistas, do Hotel (antigos dormitórios para os peregrinos) e de 300 metros de escadaria ladeadas de 20 capelas onde está representada a vida de Cristo. Do nosso lado esquerdo a paisagem é constituída por terrenos verdejantes e gado a pastar nas margens do Rio Peneda, do nosso lado direito com toda a sua grandiosidade temos o Penedo da Meadinha de onde emerge a Cascata da Peneda, que devido ao pico do Verão infelizmente não nos brindou com suas águas abundantes. Todo este espaço é de uma enorme beleza natural propício ao isolamento e ao contacto com a natureza.

Abandonando este bonito local, seguimos a nossa visita por esta zona, ultrapassando as Portas de Mezio e após observarmos a Anta que se encontra em frente ao centro de interpretação do Mezio e efectuarmos uma breve visita ao mesmo passando pelo gado bovino que pastava nas suas imediações, deixando por todo o solo as marcas da sua presença. De seguida dirigimo-nos ao Núcleo Megalítico do Mezio, onde visitámos as suas Mamoas (estruturas de tamanho variável que se destinavam a proteger o dolmen, tapando a câmara e o corredor, construídas com pedra e areia, ficando ao fim de algum tempo tapadas com a vegetação). Neste Núcleo são visíveis três mamoas uma delas escavada onde podemos observar os detalhes da sua construção. Ainda tentámos ver as gravuras rupestres de S. Gião, mas como não havia placa indicativa da distância, a noite já se aproximava e a estrada não estava nas melhores condições, optámos por deixar para outra oportunidade.

De volta à estrada surgiu talvez a situação mais caricata de todos estes passeios, sendo chamados a atenção pelos mugidos de uma vaca avistámos um senhor com um vitelinho ao colo, nascido a apenas duas horas, tendo sido tirado do pasto para o preservar de ataques de outros animais, sendo ambos seguidos pela mãe do “pequeno” (já bastante grande) animal. Encantados com este episódio rumámos á Sede do Concelho onde efectuámos uma rápida visita e para degustarmos um saborosíssimo jantar e claro, regado com o belíssimo vinho verde da região… o dia tinha sido duro, mas bastante proveitoso… pena tanta coisa ficar para ver e conhecer, pois o dia seguinte já era dia de regressar de novo às origens…